Entre Misturas Inéditas e Estreias Surpreendentes: O Novo Momento da Música

A cena musical atual vive de reinvenções e de artistas com peito para testar novas fórmulas. Essa quarta-feira, dia 30, às 21h, é a prova viva disso com a chegada de “P do Pecado”, a mais nova aposta do grupo Menos é Mais em parceria com a cantora Simone Mendes. A faixa integra o aguardado projeto Molho e já desponta com um burburinho enorme nas redes: são mais de 34 mil pré-saves de uma galera que tá simplesmente sedenta por essa junção de pagode com sertanejo. A gravação do clipe rolou lá no começo de abril em Campina Grande/PR, usando a tradicional Praça da Bandeira como pano de fundo. Esbanjando brasilidade num look amarelo e lenço verde, a própria Simone já deu a letra do que podemos esperar: “Migles, estou apaixonada por essa música. Essa mistura do pagode com sertanejo combinou demais”.

A arquitetura sonora dessa faixa tem a assinatura de Paulinho Felix, integrante do grupo, que dividiu a produção e os arranjos com o experiente Dudu Borges. E a estratégia dos caras vai bem além dos streamings. Para entregar aquele tempero caótico e autêntico que só o brasileiro domina, o quarteto promete aparecer de surpresa com apresentações pelo país, sem soltar data ou local com antecedência. O Goes, outro membro do grupo, comentou que o público nos shows tem cobrado muito o lançamento da música, o que já dá um cheiro do sucesso que vem por aí. Vale lembrar que essa estreia acontece lado a lado com o bloco Tarde Demais / Mágica / Oh! Chuva, que só vai dar as caras no YouTube na semana que vem, dia 8 de maio, às 11h.

Mas a indústria não gira apenas em torno de figurões já consolidados rompendo bolhas de gênero. Tem gente dando o primeiro passo agora e construindo o próprio caminho fora da sombra de legados familiares. Aos 26 anos, Lara Silva, a filha mais velha do apresentador Faustão, decidiu mergulhar de cabeça numa paixão que carrega desde a infância. Ela está a poucos passos de lançar sua carreira musical oficialmente, com um álbum de estreia engatilhado para sair nos próximos meses. É um movimento curioso e corajoso de quem busca cravar sua própria identidade autoral em um mercado que não perdoa falta de atitude.

E por falar em buscar a própria identidade e ter a coragem de bancar a própria arte, o cenário internacional nos joga na cara a atual e fascinante fase de Hayley Williams. Quem acompanhou o Paramore sabe bem que a vocalista, aos 14 anos, bateu o pé com a Atlantic Records exigindo fazer parte de uma banda e jurando de pés juntos que nunca seria uma artista solo. Corta para o presente: finalmente livre daquele contrato assinado na adolescência, a artista de 37 anos desembarcou em Londres para sua primeira turnê europeia sozinha, entregando um show que beira a catarse.

Logo de cara, ela entra no palco empunhando uma guitarra e destila uma raiva deliciosamente alegre sobre seu antidepressivo de escolha. A faixa Mirtazapine, uma ode pop-punk ao remédio que a “faz comer” e “faz dormir”, arrasta o público londrino para um coro ensurdecedor. A química com a plateia é tão visceral que fica fácil esquecer que esse é o primeiro show dela na cidade desde que abriu a Eras Tour da Taylor Swift com o Paramore, lá em 2024. Sorrindo horrores, ela aponta para um fã na grade e dispara: “Lembro de muitos de vocês… você subiu no palco em Misery Business”. Mas a nostalgia para por aí. O peso do espetáculo recai sobre Ego Death at a Bachelorette Party, seu terceiro disco solo, que serve como uma reflexão crua e melancólica sobre amores perdidos e o fim da inocência. No palco, ela cicatriza essas feridas costurando punk e R&B com uma destreza absurda. O ápice do show mergulha a casa num silêncio reverente durante um cover ousado de Don’t Let Me Be Misunderstood, da Nina Simone, pouco antes de ela puxar um trecho provocativo de Didn’t Cha Know, da Erykah Badu, que serve de ponte perfeita para o hit viral Good Ol’ Days.

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