O poder das onomatopeias: por que hits com “ouououou” dominam as paradas

Sabe aquela música que você não faz a menor ideia da letra, mas canta o refrão com toda a convicção do mundo? Pois é, o famoso “ouououou” é um fenômeno que une gerações e gêneros musicais. Seja para facilitar a vida de quem não domina o inglês ou para criar aquele momento de catarse coletiva em um show, essas onomatopeias são o segredo por trás de muitos clássicos inesquecíveis.

Do Rock ao Pop: os clássicos internacionais

No cenário internacional, o recurso é quase uma regra de ouro para garantir que a música grude na cabeça. O Guns N’ Roses, por exemplo, imortalizou Sweet Child O’ Mine com um refrão que, embora tecnicamente diga “Whoa, oh, oh”, é entoado por dez entre dez brasileiros como o bom e velho “ououou”.

Já nos anos 2000, o pop abusou dessa estética. Taio Cruz fez de Break Your Heart um hino das pistas em 2009, espalhando a sonoridade por toda a faixa. No mesmo embalo, o duo Tragédie dominou as rádios com Hey Oh, uma daquelas músicas que todo mundo “assassinou” a letra, mas nunca errou o coro principal.

Até mesmo a Lady Gaga entrou na onda com Judas. Lançada sob polêmica na Semana Santa de 2011, a faixa usa o recurso para criar uma melodia densa e hipnotizante. Outros exemplos que mostram a versatilidade do estilo são o clássico oitentista Tarzan Boy, do Baltimora, que foi um monstro de vendas na Europa, e a melódica You Won’t Feel A Thing, do The Script, que prova que nem só de hits óbvios vive a onomatopeia.

O tempero brasileiro nas vozes da galera

Se lá fora o “ouououou” ajuda a superar a barreira do idioma, por aqui ele serve para incendiar o público. É impossível falar disso sem mencionar Los Hermanos. No início da década de 2000, Anna Júlia se tornou um marco — apesar das polêmicas internas da banda com o hit — e até hoje o encerramento da música é um dos momentos mais marcantes do rock nacional.

O ecletismo brasileiro também abraça o recurso em diferentes frentes:

  • Romantismo: Roberto Carlos mostrou em 1990 que o Rei também sabe ser moderno com a faixa Oh, Oh, Oh, Oh, trazendo uma pegada apaixonada.
  • Carnaval: A marchinha Aurora, de Mário Lago, atravessa décadas desde 1947, provando que o “ououou” está no DNA da folia.
  • Axé e Sertanejo: Enquanto Ivete Sangalo faz estádios inteiros pularem com o coro de Tempo de Alegria, a dupla Luiz Cláudio e Giuliano trouxe a influência country para o sertanejo com Ah! Ah! Oh! Oh!.
  • Irrelevância e Vanguarda: Até a eterna Rita Lee usou o recurso na icônica Lança Perfume, uma música que desafiou os costumes da época e se tornou um dos maiores pilares da nossa música pop.

XG desbanca veteranos em votação da Billboard

Enquanto relembramos os clássicos, o mercado atual continua se movimentando em torno de nomes promissores. Recentemente, o grupo japonês XG provou que o favoritismo do público está em alta. Em uma enquete realizada pela Billboard, o grupo superou lançamentos de peso, como os dos ex-One Direction Louis Tomlinson e Harry Styles.

Com o lançamento do álbum The Core, o septeto garantiu mais de 50% da preferência dos fãs, deixando para trás nomes como Arctic Monkeys e Young Thug. O projeto é descrito pela equipe do grupo como uma “declaração artística definitiva”. Com o novo single Hypnotize já nas ruas e uma turnê mundial batendo à porta, o XG consolida seu espaço como a nova força do cenário global, provando que, seja com letras complexas ou refrões chiclete, a conexão com os fãs é o que define o topo das paradas.