O legado inabalável do Megadeth e o peso da história
Falar de Megadeth é revisitar a mítica cisão com o Metallica, o evento que impulsionou Dave Mustaine a fundar sua própria dinastia no thrash metal. Movido por um misto de rancor e velocidade, Mustaine utilizou seu talento nato com a guitarra Flying V para questionar, entre um riff e outro, a viabilidade econômica da paz. Ao longo de quatro décadas, a banda se consolidou como uma das “sumas autoridades” no altar do metal, onde a proeza técnica e o sarcasmo são mandamentos sagrados.
A trajetória do grupo sobreviveu a quase todas as mutações do gênero, desviando-se da fórmula apenas uma vez com o polêmico álbum Risk, de 1999. Agora, em seu 17º disco, o Megadeth não tenta reinventar a roda. Para bandas veteranas como Iron Maiden ou o próprio Metallica, lançar material novo é quase como renovar o licenciamento de um carro: uma prova de que a máquina ainda tem condições de rodar.
Entre solos velozes e a sombra do passado
O novo trabalho abre com “Tipping Point”, uma faixa direta que traz Mustaine despejando solos torrenciais logo de cara. Aos 64 anos, ele reforça sua relevância em “Let There Be Shred”, que resgata a postura irônica dos primórdios do thrash. Já em “Puppet Parade”, o vocal falado e ríspido remete diretamente a clássicos como “Symphony of Destruction”.
Apesar da competência, o álbum evidencia um desafio crônico: a rotatividade de integrantes. Embora Mustaine segure as rédeas, o brilho máximo da banda sempre foi um esforço coletivo, como na era de ouro de Rust in Peace. O time atual cumpre o cronograma com precisão, mas a falta daquela química visceral dos anos 90 impede que o novo registro alcance o patamar de obra-prima.
Foo Fighters: Álbum novo e retorno iminente aos palcos
Enquanto o Megadeth reafirma sua identidade, Dave Grohl parou o mundo do rock durante uma apresentação na Tasmânia, Austrália. O líder do Foo Fighters confirmou que o próximo álbum da banda já está finalizado. Com o carisma habitual, Grohl garantiu que o grupo retornará aos palcos antes do seu próximo aniversário, em 14 de janeiro, o que indica uma agenda global intensa para este ano.
A notícia chega em um momento de reconstrução. O último disco, But Here We Are (2023), foi o primeiro após a trágica perda do baterista Taylor Hawkins, com o próprio Grohl assumindo as baquetas no estúdio. Para as turnês, Josh Freese havia sido recrutado, mas o grupo seguiu caminhos diferentes com ele em maio passado.
Conexão emocional e homenagens na Tasmânia
A passagem pela Tasmânia não foi apenas para dar anúncios bombásticos; foi um momento de nostalgia e conexão. O show marcou o retorno da banda à ilha após mais de uma década e foi a primeira apresentação no local desde a morte de Hawkins.
Grohl aproveitou a ocasião para tocar “Ballad of the Beaconsfield Miners” e convidou ao palco Brant Webb, um dos mineiros que, em 2007, ficou preso sob a terra e pediu um iPod com músicas do Foo Fighters para suportar a espera pelo resgate. Além disso, a banda lançou o single “Asking For a Friend”, descrito por Grohl como uma canção para quem espera pacientemente no frio, agarrado à esperança até que o sol brilhe novamente. Com a turnê norte-americana de estádios batendo à porta, o Foo Fighters prova que, mesmo diante das perdas, a música continua sendo seu combustível principal.









